Renilda
Cardoso, é moradora do bairro da engomadeira há 37 anos, se mudou para o bairro
ainda adolescente por necessidade financeira, filha de lavadeira e caminhoneiro
ela conta que era difícil para família pagar aluguel no bairro que eles moravam
e quando souberam que várias pessoas estavam se mudando para essa região e
invadindo o local, então toda família se mudou e construíram uma casa de taipa.
Ela
disse que não sente saudades do bairro como era antes, pois não havia
saneamento básico, asfalto e as casas eram todas feitas de taipa ou de madeira
e que as mudanças da rua no passado para atualidade é muito grande
"Tinha esgoto passando aqui na porta, era barro, muita lama, quando nós
viemos morar aqui tinha que ser casa de Taipa, de maderim com varinha. Tinha
muito mato, muita cobra, muitas coisas horríveis. Nós não tínhamos água
encanada, a gente pegava água na fonte, a rua não tinha asfalto, era difícil."
No
entanto, ela contou também que o perfil dos moradores não mudou muito, pois a
maioria dos moradores envelheceram ali e os mais novos já cresceram acompanhado
o crescimento/mudanças da rua. Sobre a origem do nome do bairro ela
explica "Disseram pela história, que a Engomadeira tinha muitas mulheres
que lavava roupa, engomavam, passavam, era muita gente trabalhando nesse lance
de lavar roupa" , segundo ela é por conta disso que o bairro recebeu esse
nome.
Sobre a origem do nome do bairro Dona Cremilda
Santana moradora da engomadeira há 48 anos, disse: " O nome da
engomadeira é o seguinte, disse que aqui era um lugar que se tinha muita mulher
que lavava roupa de ganho, que os ônibus iam tudo cheio só de trouxa de roupa,
e botaram esse nome aqui na engomadeira". Dona Cremilda era moradora do nordeste de Amaralina,
mas por problemas familiares teve que se mudar para Engomadeira, chegou no
bairro no ano de 1970.
Quando chegou
ao bairro, a mata ainda bem fechada, tinha muita cobra e outros animais e isso
incomodava demais os moradores “Aqui só tinha cobra, para atravessar na rua a
gente tinha que parar e deixar as cobras passar, o mato era muito”. Perguntada
sobre o fato de sentir saudades do bairro, ela falou que não sente, apesar de
todos os problemas sofridos atualmente ela diz que não tem como sentir saudades
do local antes, dos matos, das cobras, da falta de infraestrutura e saneamento
do local.
Diante de tudo que foi exposto pelas entrevistadas
fiquei atentada a escrever minha vivência como moradora do bairro de
Engomadeira. Filha de Encanador e Dona de casa, eu, Maiane Santos da Purificação, sou estudante de Pedagogia na Universidade do
Estado da Bahia, negra, cristã, pobre.
Moradora do bairro de engomadeira há 21 anos (minha
idade), aqui fui nascida, criada, e estou evoluído. Vi a mudança e o progresso
da Segunda Travessa Paulo Magalhães Dantas (rua em que moro) de frente,
lembro-me dos tratores, das obras, dos políticos inaugurando a rua, a alvenaria
de concreto que contem a encosta.
Hoje, vivo na pele a dificuldades que só o morador
da periferia sente, vivo na pele a discriminação por morar no Bairro da
engomadeira, vivo na pele as consequências da falta de segurança pública, saúde,
educação, etc.
Por isso, posso afirmar que conhecer a história do
meu bairro, me faz ter ainda mais orgulho de ser “cria da Engomadeira”, desejo
profundamente que do berço desse bairro tão sofrido saiam, professores, médicos,
advogados, políticos, etc. Espero estar viva para ver, esse bairro ser
reconhecido pela sua gente honesta e trabalhadora,
pelos seus estudantes batalhadores (tanto ou mais do que eu), espero que em
breve, nas manchetes da mídia, a Engomadeira seja reconhecida pelo seu melhor e
não pelo ser pior (que é mínimo).
Por Maiane Purificação