terça-feira, 25 de setembro de 2018

O CABULA





A cidade de Salvador é cercada por diversas referências e elementos que contam a história da presença dos negros no Brasil e consequentemente na construção da história brasileira. A influência e a participação direta dos africanos vindos para cá como escravos pode se vista e sentida a todo o instante na Bahia, mas principalmente em Salvador seja na pele escura de mulheres e homens, na arquitetura e composição das feiras livres e dos prédios e alamedas do Pelourinho, até nos nomes de bairros soteropolitanos como o Cabula. O cabula, bairro localizado no miolo central de Salvador tem uma história de resistência negra desde o período da escravidão, tempo em que a mata fechada tornava o local atrativo para escravizados que fugiam de seus  algozes.

A história do cabula não é nem um pouco recente. A área foi povoada por povos africanos que vieram de países como Angola e Congo, e que tocavam e dançavam um ritmo quicongo religioso, conhecido como kabula. Segundo alguns historiadores foi justamente essa dança que deu  nome ao bairro. Abrangendo bairros hoje conhecidos como Pernambués, Engomadeira, Beirú, Estrada das Barreiras, Narandiba, São Gonçalo do Retiro e etc. O Quilombo do Cabula resistiu até 1808.

Já no século XIX, os nagôs também começaram a se alojar na região. Em 1910, foi fundado o Ilê Axé Opô Afonjá, o terreiro mais antigo da região que fica situado na comunidade de São Gonçalo do Retiro. A fundação do terreiro foi feita por Obá Biyi (Eugênia Ana dos Santos, também conhecida como Mãe Aninha).

 Naquela época, o Cabula era ocupado por chácaras produtoras de laranja-da-baía – uma subespécie de laranja que não tem semente e se reproduz assexuadamente, por meio de mudas e enxertia. Em 1873, o fruto foi levado por técnicos de citricultura para Califórnia, nos Estados Unidos. A partir daí, sua produção foi diminuída no Brasil.

Em 1910, todas as terras que pertenciam ao Mosteiro de São Bento, ou seja, a região do cabula e miolo central foram desapropriadas e passaram a ser vendidas e arrendadas pela Prefeitura de Salvador.  Além disso o declínio das plantações de laranja-da-baía que aconteceu entre os anos de 1940 e o início da década de 1950, quando foram atingidas por inúmeras pragas colaborou para que muitas das chácaras que estavam instaladas no local fossem vendidas ou parcelas.

No final do século XIX, por exemplo, as terras habitadas no bairro estavam concentradas em fazendas na região da Engomadeira, do Beiru, da Sussuarana e da Mata Escura. Já no início do século XX, existia também a Fazenda São Gonçalo, que vai de onde hoje está localizado o Hiperbompreço até o Pernambués.

Contudo a urbanização e modernização da região veio junto com a instalação do 19º Batalhão de Caçadores que é uma unidade do Exército Brasileiro. Ele foi um dos atrativos que ficam no bairro do Cabula e tem esse nome em lembrança à Batalha de Pirajá, durante a Independência da Bahia, ainda no século XIX. Ele foi fundado em 16 de janeiro de 1920 e é subordinado a 6ª Região Militar. 

No entanto, somente no final da década de 1950, a expansão horizontal em toda Salvador, acarretou mudanças no uso do solo no Cabula. As chácaras foram sendo vendidas ou parceladas e a urbanização avançou pelas áreas verdes do bairro. Assim, as chácaras foram dando lugar á casas e surgiram no bairro os primeiros conjuntos habitacionais, já na década de 1970, bem como grandes instituições como O Hospital Geral Roberto Santos (1979), a Universidade do Estado da Bahia(1983), a Penitenciária Lemos de Brito, assim com o passar dos anos, o Cabula foi sendo habitado, principalmente, por pessoas de classe média, com casas de um ou dois pavimentos e prédios de até quatro pavimentos. Apenas as edificações mais recentes possuem entre 10 e 34 pavimentos. 



REFERÊNCIAS:

http://www.afreaka.com.br/notas/davi-nunes-palavras-de-vida-ao-quilombo-cabula-da-princesa-bucala/

https://www.ibahia.com/viver-cabula/detalhe/noticia/conheca-o-19o-batalhao-de-cacadores-unidade-do-exercito-localizada-no-cabula/

https://www.ibahia.com/viver-cabula/detalhe/noticia/saiba-como-foi-o-processo-de-povoamento-do-cabula/

morenocabula.com.br/conheca-a-tradicao-e-resistencia-regiao-do-cabula/

SALVADOR E SUA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA




Salvador é uma das grandes metrópoles brasileiras e isso é inegável graças a sua grande extensão territorial  de 693 km² e a sua população estimada de 2,677 milhões (2010)  de habitantes, ao seu turismo de excelência, a sua economia, a sua cultura, etc. O que poucos sabem é que Salvador além de ser a primeira grande metrópole brasileira tem três fatores históricos que a fazem  extremamente importante para história da Bahia e do Brasil.

Com as grandes navegações lá por volta dos séculos XV e XVI os marinheiros europeus buscavam rotas para chegarem até as índias e países da África, no entanto as rodas marinhas da região de Cabo verde onde eles tentavam passar não  possibilitavam a passagem. Em uma dessas tentativas as correntes marinhas os trouxeram para o que hoje chamamos de América, mas especificamente para Bahia.

A rota marítima  de Cabo verde está interligada a Baía de todos os Santos, ou seja, a Salvador e portanto, com barcos a vela só era  possível chegar as “índias” e aos países da região sul da África se antes passem por Salvador. Daí com a chegada e estalagem dos Europeus por aqui, o porto de Salvador se tornou extremamente importante para o comércio mundial o que fez Salvador se constitui como cidade e capital do Brasil naquela época, na verdade, Salvador naquela época tornou-se uma metrópole portuguesa fora de Portugal.

Assim houve um crescimento populacional enorme, fora a população local, os índios, teve a chegada de soldados portugueses e de suas famílias, dos negros escravizados, dos jesuítas e assim a população baiana  foi se constituindo.