A cidade de Salvador é cercada por diversas referências e
elementos que contam a história da presença dos negros no Brasil e
consequentemente na construção da história brasileira. A influência e a
participação direta dos africanos vindos para cá como escravos pode se vista e
sentida a todo o instante na Bahia, mas principalmente em Salvador seja na pele
escura de mulheres e homens, na arquitetura e composição das feiras livres e
dos prédios e alamedas do Pelourinho, até nos nomes de bairros soteropolitanos
como o Cabula. O cabula, bairro localizado no miolo central de Salvador tem uma
história de resistência negra desde o período da escravidão, tempo em que a
mata fechada tornava o local atrativo para escravizados que fugiam de seus algozes.
A história do cabula não é nem um pouco recente. A área foi
povoada por povos africanos que vieram de países como Angola e Congo, e que
tocavam e dançavam um ritmo quicongo religioso, conhecido como kabula. Segundo alguns
historiadores foi justamente essa dança que deu nome ao bairro. Abrangendo bairros hoje
conhecidos como Pernambués, Engomadeira, Beirú, Estrada das Barreiras, Narandiba,
São Gonçalo do Retiro e etc. O Quilombo do Cabula resistiu até 1808.
Já no século XIX, os nagôs também começaram a se alojar na
região. Em 1910, foi fundado o Ilê Axé Opô Afonjá, o terreiro mais antigo da
região que fica situado na comunidade de São Gonçalo do Retiro. A fundação do
terreiro foi feita por Obá Biyi (Eugênia Ana dos Santos, também conhecida como
Mãe Aninha).
Naquela época, o Cabula
era ocupado por chácaras produtoras de laranja-da-baía – uma subespécie de laranja
que não tem semente e se reproduz assexuadamente, por meio de mudas e enxertia.
Em 1873, o fruto foi levado por técnicos de citricultura para Califórnia, nos
Estados Unidos. A partir daí, sua produção foi diminuída no Brasil.
Em 1910, todas as terras que pertenciam ao Mosteiro de São
Bento, ou seja, a região do cabula e miolo central foram desapropriadas e
passaram a ser vendidas e arrendadas pela Prefeitura de Salvador. Além disso o declínio das plantações de
laranja-da-baía que aconteceu entre os anos de 1940 e o início da década de
1950, quando foram atingidas por inúmeras pragas colaborou para que muitas das
chácaras que estavam instaladas no local fossem vendidas ou parcelas.
No final do século XIX, por exemplo, as terras habitadas no
bairro estavam concentradas em fazendas na região da Engomadeira, do Beiru, da
Sussuarana e da Mata Escura. Já no início do século XX, existia também a
Fazenda São Gonçalo, que vai de onde hoje está localizado o Hiperbompreço até o
Pernambués.
Contudo a urbanização e modernização da
região veio junto com a instalação do 19º Batalhão de Caçadores que é uma unidade do Exército Brasileiro.
Ele foi um dos atrativos que ficam no bairro do Cabula e tem esse nome em
lembrança à Batalha de Pirajá, durante a Independência da Bahia, ainda no
século XIX. Ele foi fundado em 16 de janeiro de 1920 e é subordinado a 6ª
Região Militar.
No entanto, somente no final da década de 1950, a expansão horizontal em toda Salvador, acarretou mudanças no uso do solo no Cabula. As chácaras foram sendo vendidas ou
parceladas e a urbanização avançou pelas áreas verdes do bairro. Assim, as
chácaras foram dando lugar á casas e surgiram no bairro os primeiros conjuntos
habitacionais, já na década de 1970, bem como grandes instituições como O Hospital Geral Roberto Santos (1979), a Universidade do Estado da Bahia(1983), a Penitenciária Lemos de Brito, assim com o passar dos anos, o Cabula foi sendo habitado,
principalmente, por pessoas de classe média, com casas de um ou dois pavimentos
e prédios de até quatro pavimentos. Apenas as edificações mais recentes possuem
entre 10 e 34 pavimentos.
REFERÊNCIAS:
http://www.afreaka.com.br/notas/davi-nunes-palavras-de-vida-ao-quilombo-cabula-da-princesa-bucala/
https://www.ibahia.com/viver-cabula/detalhe/noticia/conheca-o-19o-batalhao-de-cacadores-unidade-do-exercito-localizada-no-cabula/
https://www.ibahia.com/viver-cabula/detalhe/noticia/saiba-como-foi-o-processo-de-povoamento-do-cabula/
morenocabula.com.br/conheca-a-tradicao-e-resistencia-regiao-do-cabula/
😳👏👏👏👏👏👏
ResponderExcluirMuito bem feito 👏👏
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